Quais componentes de um eletrônico podem ser reciclados?

Computadores, celulares e televisores escondem materiais valiosos que podem ser reaproveitados. Entenda o que é reciclável e como ocorre a recuperação.

Capa ilustrada: Quais componentes de um eletrônico podem ser reciclados?

Computadores, celulares e televisores escondem materiais valiosos que podem ser reaproveitados. Entenda o que é reciclável e como ocorre a recuperação.

Data: 16/10/2025 • Editorias: Reciclagem, Meio Ambiente, Sustentabilidade

Quando pensamos em reciclagem, é comum imaginar papel, vidro e plástico. No entanto, os equipamentos eletroeletrônicos — como computadores, televisores, celulares e impressoras — também possuem alto potencial de reaproveitamento. Cada item é composto por diferentes materiais, muitos deles valiosos e recicláveis, que podem ser reinseridos na indústria se tratados corretamente.

Segundo o Global E-waste Monitor 2024, publicação da ONU e da União Internacional de Telecomunicações (ITU), o planeta gerou mais de 60 milhões de toneladas de lixo eletrônico em 2023. Menos de 20% desse volume foi reciclado formalmente. No Brasil, o índice de reciclagem de e-lixo ainda é inferior a 3%, segundo o Ministério do Meio Ambiente.

Os eletrônicos contêm metais como cobre, alumínio, ouro e prata — todos de alto valor econômico e energético. A extração de minérios para novos produtos consome energia e gera emissões de carbono. Reciclar é, portanto, uma medida de sustentabilidade ambiental e econômica.

Cada equipamento contém centenas de peças e materiais diferentes. O processo de reciclagem consiste em desmontar, separar e encaminhar cada fração para o destino adequado. Veja os principais componentes recicláveis:

Presentes em gabinetes de computadores, teclados e televisores, os plásticos de engenharia (como ABS e policarbonato) são triturados e transformados em grânulos, que retornam à indústria para fabricação de novos produtos.

Cobre, ferro, alumínio, estanho e zinco estão presentes em fios, cabos, estruturas e fontes de energia. Após a separação, são fundidos e reintroduzidos em processos industriais. O cobre, por exemplo, pode ser reciclado indefinidamente sem perda de qualidade.

As placas são uma das partes mais valiosas, pois contêm metais preciosos como ouro, prata, paládio e cobre. O processo de reciclagem é químico e físico: as PCIs são moídas e passam por banhos químicos controlados para recuperar os metais.

Monitores CRT (antigos) e telas de LCD ou LED possuem vidros com chumbo, fósforo e outros compostos que exigem tratamento especializado. As partes não contaminadas são recicladas e transformadas em novos produtos vítreos.

As baterias de lítio, níquel ou chumbo-ácido são recicladas em processos controlados para evitar contaminação. O lítio, o cobalto e o níquel recuperados são utilizados novamente pela indústria de energia e mobilidade elétrica.

São compostos basicamente por cobre e plástico isolante. No processo de reciclagem, o cobre é separado do revestimento e refundido, retornando à indústria de cabos ou à fundição metálica. Esse tipo de material é uma das principais fontes de reciclagem da Ecobraz Emigre.

Contêm cobre, ferro e alumínio. Após desmontagem e separação, os metais são reaproveitados e as carcaças metálicas seguem para fundição.

Resistores, capacitores e conectores contêm minérios valiosos em quantidades menores. A reciclagem desses itens ocorre principalmente em plantas industriais com separação mecânica e flotação eletrostática.

  1. Recebimento e triagem: os equipamentos chegam ao centro de reciclagem e são classificados por tipo e estado.
  2. Desmontagem: técnicos removem peças reaproveitáveis e separam plásticos, metais e placas.
  3. Trituração e separação: os resíduos são triturados e passam por separadores magnéticos e ópticos para dividir os materiais.
  4. Refino e purificação: as frações metálicas são fundidas ou tratadas quimicamente para gerar matéria-prima pura.
  5. Reinserção na indústria: os materiais voltam para fabricantes de cabos, fundições, montadoras ou novas linhas de produção.

Nem tudo é aproveitável. Partes contaminadas, colas industriais e resinas de difícil separação geralmente são destinadas à coprocessagem ou incineração controlada. Substâncias perigosas, como chumbo e mercúrio, precisam de tratamento especializado conforme normas da ABNT NBR 16156 e das resoluções do CONAMA.

A Ecobraz Emigre atua na coleta, desmontagem, separação e destinação de resíduos eletrônicos em todo o território nacional. Todos os materiais são processados de forma ambientalmente correta, com emissão de documentação e certificação de destinação final. O trabalho da ONG contribui diretamente para o cumprimento das metas de logística reversa no Brasil. Saiba mais em ecobraz.org.

Reciclar eletrônicos não é apenas uma prática ambiental — é uma necessidade global. Cada equipamento contém dezenas de materiais valiosos que, se descartados incorretamente, podem gerar contaminação e perda de recursos. A separação e o processamento adequados garantem que metais, plásticos e vidros voltem à economia, reduzindo emissões e promovendo a sustentabilidade. O consumidor também é parte fundamental dessa cadeia: o simples ato de entregar um eletrônico a um operador licenciado faz toda a diferença.

Fontes: Global E-waste Monitor 2024 (ONU/ITU); ABNT NBR 16156; Decreto nº 10.240/2020; Ministério do Meio Ambiente; ABREE – Associação Brasileira de Reciclagem de Eletroeletrônicos e Eletrodomésticos.